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"Sessão de horror": no Cariri, jovem relata agressão por ex-namorado e pede justiça

  • Foto do escritor: Romas Sousa
    Romas Sousa
  • 31 de jan. de 2022
  • 4 min de leitura

Fernanda Coelho, de 27 anos, decidiu expor as marcas das agressões nas redes sociais para incentivar outras mulheres a denunciar casos de violência doméstica

A bacharel em Direito Fernanda Coelho, 27, ainda carrega no corpo as marcas da agressão que ela relata ter sofrido do então namorado Júnior Barreto, 26. A jovem afirma que foi golpeada com socos, chutes, teve parte do cabelo arrancado e quase não sobreviveu a uma tentativa de asfixiamento. As agressões aconteceram na madrugada do último dia 23, no apartamento do empresário, em Barbalha, na região do Cariri. Defesa fala que "houve conflito corporal".


Um Boletim de Ocorrência foi registrado pela vítima poucas horas após o fato, na Delegacia de Juazeiro do Norte, cidade onde ela mora, mas Júnior Barreto só foi ouvido pela Polícia Civil quatro dias após a denúncia.

Passada uma semana do ocorrido, Fernanda ainda teme pela vida dela e de seus familiares. Em entrevista ao O POVO, a jovem questiona o porquê de o suspeito não ter sido preso em flagrante, já que o caso foi registrado dentro do prazo de 24 horas exigido pela Justiça. “Apresentei todas as provas da violência na Delegacia. Os próprios hematomas da agressão no meu corpo demonstravam isso. Agora eu entendo porque as mulheres, na maioria dos casos, têm medo de denunciar”, afirmou.


A “sessão de horror”, como ela mesma descreve o que viveu naquela madrugada, aconteceu logo após uma crise de ciúmes do então namorado. Ele teria ficado incomodado ao saber que um conhecido seu teria tentado um relacionamento com Fernanda, enquanto ela ainda estava solteira. “Ele cobrava fidelidade, como se fosse meu dono, mesmo eu não estando com ele”, desabafou a vítima.

Aviso: neste parágrafo, o texto contém informações que podem ser considerados gatilhos para parte dos leitores. Em um "ataque de fúria", o ex-namorado teria pegado uma arma de fogo e ido até a casa do homem, mas não o encontrou. Ele estava na companhia de um amigo, de um funcionário e da própria Fernanda, que foi obrigada a entrar no carro. Ao retornarem para o apartamento dele, as agressões tiveram início. Primeiro, o acusado tentou quebrar o celular da jovem, arremessando o aparelho contra a parede.

Aviso: neste parágrafo, o texto contém informações que podem ser considerados gatilhos para parte dos leitores. “Quando eu me abaixei para pegar [o celular] ele começou a me chutar. Eu caí, fiquei bolando, e ele me chutando. Quando eu consegui me levantar, ele pegou pelo meu cabelo e me derrubou novamente, depois começou a chutar novamente. Quando eu levantei, ele fez isso pela segunda vez”, revelou Fernanda.

Aviso: neste parágrafo, o texto contém informações que podem ser considerados gatilhos para parte dos leitores. Com medo de que algo pior pudesse acontecer, a vítima implorou a Júnior que ele a deixasse em casa, em Juazeiro, mas a fúria só aumentou. “Foi nesse momento que ele me puxou pelo cabelo, mais uma vez, me jogou em cima da cama, e começou a me asfixiar. Primeiro, com um travesseiro. Depois, apertando meu pescoço, até que eu fiquei sem ar e levantei os braços e as pernas para pedir socorro”. A ajuda veio do funcionário do homem que, de acordo com a jovem, testemunhou todas as agressões ocorridas naquela madrugada.

Depois, Júnior disse que levaria Fernanda até o seu apartamento, em Juazeiro, mas que antes disso, a faria passar por um constrangimento diante de sua família. “Ele disse que antes de me deixar em casa, nós íamos passar na casa da irmã dele para eu dizer a ela que eu era uma vagabunda. Quando a gente chegou lá, antes de ela abrir o portão, ele deu um murro na minha boca. Foi nesse momento que cortou os meus lábios e comecei a cuspir sangue”, detalhou.

Sem ter como voltar para casa, já que naquele horário, por volta das 3 horas da madrugada, não havia motorista de aplicativo disponível, Fernanda pediu carona de volta a Juazeiro. No meio do caminho, já prestes a chegar ao condomínio onde mora, uma surpresa: “Quando olhei pelo retrovisor, vi que o carro dele estava colado. Eu fiquei apavorada”.

A vítima foi perseguida até o elevador do condomínio onde mora e após ser novamente intimidada, não teve outra alternativa a não ser permitir a entrada de Júnior em seu apartamento. “Ele estava com medo que eu ligasse para a Polícia. Começou a dizer que ia estourar minha cabeça e que se eu fizesse o Boletim de Ocorrência ele iria me matar. Eu tive que fingir que estava tudo bem entre a gente para convencê-lo a ir embora”, revelou a vítima.

Logo após a saída do então namorado, por volta das 5 horas, Fernanda desabafou sobre as agressões a uma de suas amigas, que mora no Crato, a 15 quilômetros de Juazeiro. Revoltada ao ver as fotos com as marcas da violência, ela não só a incentivou a denunciar o caso como também se comprometeu a acompanhá-la até a Delegacia. As duas foram à unidade regional da Polícia Civil, em Juazeiro do Norte, às 8 horas do mesmo dia.

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