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Por que o Brasileirão tem mais empates que as principais ligas europeias?

Foto do escritor: Romas Sousa
Romas Sousa
15 de out.
3 min de leitura

Por que o Brasileirão empata tanto? A resposta está nos números.

Quem assiste ao Brasileirão com frequência já percebeu. Tem muita partida que termina em 0 a 0 ou até de 1 a 1. Jogo truncado, onde nenhum time consegue decidir. A pergunta é: isso é coincidência? Ou tem alguma explicação real por trás disso? Tem. E começa por um número simples.


O ponto de partida: quantos gols por jogo?

Nas últimas temporadas, o Brasileirão registrou uma média entre 2,44 e 2,49 gols por partida. Não é uma variação de um ano ruim. É um padrão que se repete.


Aí você coloca isso do lado das ligas europeias. A Bundesliga fechou a temporada 2023/24 com média de 3,22 gols por jogo. A Premier League ficou em 3,28. A Serie A italiana, que todo mundo chama de defensiva, marcou perto de 2,55.


Até a Ligue 1 francesa ficou em torno de 2,51. O Brasileirão fica abaixo de todas elas. Quase sempre.


Menos gols, mais empates: a relação estatística

Parece óbvio quando você pára e pensa. Jogo com poucos gols tem menos combinações de resultado possíveis. Num jogo de seis gols, dá pra sair 4×2, 3×3, 5×1. Num jogo de dois gols, as opções são 2×0, 1×1 e pouco mais.


Quando a média de gols é baixa, o empate passa a representar uma fatia enorme de todos os desfechos possíveis. É matemático. O Brasileirão 2023 terminou com 26% das partidas empatadas. Não foi exceção. É tendência.


Por que o Brasileirão tem menos gols?

Aqui tem mais de uma causa, segundo os especialistas em palpites Brasileirão Série A do Wincomparator, um portal de referência em previsões esportivas.


O calendário pesa. Os times brasileiros jogam em várias frentes ao mesmo tempo: Série A, Copa do Brasil, Libertadores ou Estadual. Quando o intervalo entre jogos é de três ou quatro dias, o time não tem tempo de recuperar direito. Isso fecha os espaços e reduz a intensidade no ataque.


As viagens também cobram o seu preço. Um time de São Paulo que vai jogar em Belém percorre mais de dois mil quilômetros. Isso não existe em nenhum campeonato europeu. O desgaste físico e logístico é real e afeta a qualidade ofensiva, especialmente nas equipes visitantes.


Tem ainda a questão dos gramados. A variação de qualidade entre estádios no Brasil é grande. Campo ruim trava o jogo. E há uma tradição tática consolidada no futebol brasileiro de fechar atrás fora de casa, aceitar o empate como resultado possível e não se expor.


Um campeonato sem hegemonia: o peso do equilíbrio

Nas grandes ligas europeias, dois ou três clubes concentram a maior parte do dinheiro e dos jogadores. O resultado prático disso é que eles vencem com facilidade contra os times menores. Goleadas acontecem. A média de gols sobe.


No Brasileirão é diferente. Com 20 times no formato de pontos corridos, há muito mais equipes capazes de bater qualquer adversário. Os jogos entre times de nível parecido são a regra, não a exceção. E quando o nível é parecido, o empate é o resultado mais natural.


É essa imprevisibilidade que torna o campeonato tão difícil de analisar. O Brasil começa a ver alguma concentração, com Flamengo e Palmeiras crescendo em orçamento e regularidade. Mas o grau de paridade ainda é superior ao europeu.


O que as cotações revelam sobre o empate

As casas de apostas não ignoram isso. Elas incorporam as tendências de cada campeonato nos preços. Numa liga ofensiva e desequilibrada, a cotação do empate fica alta. O mercado considera esse resultado pouco provável.


No Brasileirão acontece o contrário: a cotação do empate é estruturalmente mais curta, porque o mercado sabe que esse desfecho aparece com frequência. Não é opinião. É o mercado traduzindo o que os números mostram.


A ressalva importante: nem toda liga europeia marca mais

Antes de fechar, vale uma ressalva. Dizer que “as ligas europeias marcam mais” é verdade na maioria dos casos. Mas não em todos.


A La Liga espanhola registrou médias de gols próximas às do Brasileirão em algumas temporadas, chegando perto dos 2,60. Tem edição que fica abaixo disso.


Comparação temporada a temporada é mais honesta do que generalização por liga. O que os dados mostram de forma consistente é uma tendência. Não uma lei.


Um traço de identidade do futebol brasileiro

O Brasileirão marca menos e empata mais. Não porque seja um campeonato ruim. Mas porque tem condições específicas: calendário pesado, viagens longas, equilíbrio competitivo alto e uma cultura tática que não prioriza o ataque a qualquer custo.


Num campeonato onde qualquer time pode bater qualquer outro, o empate não é surpresa. É consequência. É assim que o Brasileirão funciona, e os números só confirmam o que quem assiste já sente

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