Veja quem são os 26 cearenses presos pelos atos de 8 de janeiro
- Romas Sousa

- 8 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
Passado um ano da tentativa de golpe, continuam presos 66 das mais de 2 mil pessoas detidas em dias próximos aos ataques

Um ano após os atos de 8 de janeiro de 2023, pelo menos 26 cearenses são hoje investigados em ações penais envolvendo a depredação de prédios dos Três Poderes em Brasília. Às 15 horas, o presidente Lula (PT) comandará no Congresso Nacional o ato "Democracia Inabalada", em condenação aos atos antidemocráticos.
Passado um ano após as prisões, continuam presos 66 das mais de 2 mil pessoas detidas em dias próximos aos ataques. Das 26 pessoas naturais do Ceará presas sob acusação de envolvimento na escalada extremista, apenas uma — o blogueiro Wellington Macedo — ainda está na prisão. Outros 25 chegaram a ser presos, mas hoje respondem a ações penais em liberdade.
Cearense preso
Condenado em agosto de 2023 a seis anos de prisão por participação na tentativa de atentado à bomba nas proximidades do Aeroporto de Brasília em 24 de dezembro de 2022, o jornalista de 47 anos foi preso em 14 de setembro passado em Cidade do Leste, no Paraguai. Natural de Fortaleza e atuante na política de Sobral, Macedo chegou a prestar depoimento à CPMI do 8 de janeiro, mas permaneceu em silêncio.
Segundo decisão da 8ª Vara Criminal de Brasília, o cearense participou da tentativa junto de George Washington de Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues, estes dois já presos com penas de nove anos e quatros meses e cinco anos e quatro meses de prisão, respectivamente, ambos em regime inicial fechado.
Os cearenses que chegaram a ser presos e foram liberados são:
Homens
ALEXANDRE MAGNO DA SILVA FERREIRA, 32 anos
CARLOS DANIEL ARAGÃO DE ARAÚJO, 56 anos
FRANCISCO IDEVAN RODRIGUES, 35 anos
LINCOLN DA SILVA EUGÊNIO, 41 anos
KELSON DE SOUZA LIMA, 28 anos
MARCOS FERNANDO DE OLIVEIRA COSTA, 30 anos
PAULO JORGE GOMES, 44 anos
PEDRO ROBERTO NUNES CAMPOS, 47 anos
REINALDO PEREIRA DA SILVA, 40 anos
ROMÁRIO GARCIA RODRIGUES, 32 anos
SEBASTIAO JOSE BEZERRA NETO, 53 anos
TIAGO PEREIRA DO NASCIMENTO, 26 anos
WENDERSON LUIZ BRANDÃO BARROS, 23 anos
Mulheres
ANNA CAROLINA VIEIRA CINTRA MARQUES VASCONCELLOS, 36 anos
ANTONIA RACHEL DE SOUSA, 35 anos
CECILIA BARROSO DA COSTA, 34 anos
EDISLANE ALVES PEREIRA, 36 anos
FRANCISCA HILDETE FERREIRA, 60 ANOS
JOSENETH SOUSA DO NASCIMENTO, 53 anos
LUCIMAR FRAKLIN SOARES DE SIQUEIRA, 56 anos
MARIA SILVELI TEIXEIRA LIMA, 50 anos
MARIA VITORIA MESQUITA DA COSTA, 22 anos
NATALIA SANTOS OLIVEIRA, 35 anos
REGINA MARIA DE AZEVEDO, 48 anos
RENATA APARECIDA FERREIRA DE OLIVEIRA, 37 anos
Julgamentos do 8 de janeiro
No panorama geral, o Supremo Tribunal (STF) já condenou 30 réus por envolvimento nos ataques, com penas que variam de 3 a 17 anos de prisão. Em 15 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes chegou a iniciar, no plenário virtual, o julgamento de mais 29 réus do caso. A análise, no entanto, foi interrompida pelo recesso do Judiciário e será retomada em fevereiro.
Entre os 29 julgamentos já iniciados, está o de Ação Penal contra a cearense Francisca Hildete Ferreira, 60. Presa no dia 8 de janeiro no Palácio do Planalto, ela foi a última cearense detida durante os atos a ter prisão revogada, ainda em 7 de agosto, e foi imputada a diversos crimes por conta de material encontrado em um celular apreendido com ela — inclusive com fotos da acusada durante a invasão do Planalto e depredação do STF.
Em sua defesa, a acusada chega a levantar suspeição de ministros do STF para julgar o caso, além de apontar que manifestantes transitavam "pacificamente" no interior do Palácio do Planalto, com casos de violência sendo questões "individuais".
Abrindo o julgamento, Moraes votou pela condenação da ré a 12 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do Patrimônio tombado e associação criminosa armada, assim como participação em uma multa de R$ 300 milhões que será paga pelos condenados pelos atos. Antes de a sessão ser suspensa, o voto foi acompanhado por Gilmar Mendes.
Além de Wellington Macedo e Francisca Hildete, outros 24 cearenses já tiveram denúncias recebidas pelo STF por suposto envolvimento nos ataques. Com isso, integrantes do grupo passaram à condição de réus e respondem a ações penais pelos supostos crimes, até agora, de incitação ao crime e associação criminosa armada. Uma outra cearense presa no oito de janeiro também é alvo de inquérito no STF, mas ainda não teve denúncia oferecida.
No fim do ano passado, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) chegou a apresentar projeto de lei propondo uma anistia para todos os condenados e investigados no caso. Líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT), rejeita a tese. "Vândalos que tentaram dar um golpe precisam ser punidos ao rigor da lei", diz.





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