Greve de servidores estaduais: setores paralisam e Governo pede suspensão à Justiça
- Romas Sousa

- 4 de abr. de 2024
- 2 min de leitura
Sindicatos do Detran e da Uece defendem legalidade das greves. Apeoc avança em negociações para professores da educação básica

Servidores estaduais de três áreas distintas resolveram paralisar as atividades laborais em busca de reajustes salariais e melhores condições de trabalho. Os professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Regional do Cariri (Urca), bem como os docentes da educação básica estadual e os servidores do Detran aprovaram indicativos de greve.
Nessa quarta-feira, 3, os servidores do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) iniciaram a greve apesar de uma decisão judicial determinar a suspensão do movimento. A liminar publicada na terça-feira, 2, foi ajuizada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-CE) e pelo Detran.
As partes argumentaram pela ilegalidade da greve afirmando que as negociações salariais não foram frustradas, com propostas ainda sendo analisadas pelo Estado. Conforme o documento, o sindicato da categoria pode pagar R$ 50 mil por dia caso a determinação seja descumprida.
A coordenadora do Sindetran, Gabriela Mac Dowell, defende a legalidade da paralisação. “Nós fizemos todos os procedimentos corretos para entrar em greve. Estamos em negociação desde janeiro, e de lá para cá, depois de umas cinco a seis reuniões, não nos foi dada nenhuma contraproposta”, afirma.
Ela argumenta que os servidores do Detran Ceará têm os menores salários base quando comparados aos outros órgãos estaduais de trânsito do Nordeste, e até mesmo de algumas autarquias de municípios cearenses.
A reestruturação pleiteada corresponde a R$ 55 milhões a mais na folha de pagamento. Além disso, postos de trabalho em más condições estruturais e desvio de funções são alguns dos pontos negativos mencionados pela coordenadora.
“O pessoal tá tão insatisfeito que prosseguiu com a greve, mesmo com a liminar. O servidor quer o direito dele de poder ter melhor qualidade de vida e assim, prestar um melhor serviço para a sociedade”, afirma Gabriela. Até esta quinta-feira, 4, não houve notificação judicial formal e, com isso, a greve deve continuar.
O Detran-CE foi procurado pelo O POVO para falar sobre a negociação com a categoria, mas até a publicação desta matéria o órgão não respondeu o questionamento.
Greve de professores da Uece e Urca também é considerada ilegal pela Justiça
Também ajuizada pela PGE, liminares determinaram a suspensão das greves dos professores da Uece e da Urca. A decisão foi publicada antes mesmo do início do movimento, que ocorreria nesta quinta-feira, 4.
Conforme nota da PGE, os pedidos judiciais pretendem “assegurar a continuidade da prestação dos serviços essenciais à população cearense, uma vez constatada a ausência dos requisitos legais necessários para a deflagração do movimento”.
Assim como no caso da greve dos servidores do Detran, o Governo do Estado alega que as negociações salariais não tinham terminado com os professores universitários. Segundo o presidente do Sindicato de Docentes da Universidade Estadual do Ceará (Sinduece), Nilson Cardoso, a liminar é "uma medida clara de intimidação" contra o movimento.
Nesta quarta-feira, 4, a paralisação foi mantida na Uece, já que o Sinduece ainda não foi notificado oficialmente pela Justiça. Nilson afirma que quando isso ocorrer, o sindicato entrará com recurso. Na Urca, uma assembleia geral extraordinária será realizada nesta sexta-feira, 5, para deliberar sobre o avanço ou suspensão da greve.





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