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Estratégia da oposição da Alece pode inflar bancada de deputados do PSDB e esvaziar PDT e União

  • Foto do escritor: Romas Sousa
    Romas Sousa
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

Grupo já calcula representatividade partidária de Ciro Gomes no Legislativo, com pleito eleitoral no radar.

A oposição da Assembleia Legislativa (Alece) estuda a concentração de deputados estaduais do grupo no PSDB, partido sob o comando de Ciro Gomes a nível estadual. A estratégia envolve a migração de cinco parlamentares para a sigla tucana, o que pode esvaziar as bancadas do PDT e do União Brasil na Casa. 


Segundo políticos do campo oposicionista ouvidos pelo PontoPoder, a tática está sendo avaliada e deve ser fechada até a janela partidária, entre março e abril, quando as trocas entre legendas são liberadas. 


O grupo mira dois objetivos principais: o fortalecimento do PSDB para o pleito eleitoral e a formação de uma bancada aliada para um possível mandato de Ciro no Governo do Estado.


Presidente estadual do União Brasil, o ex-deputado federal Capitão Wagner explica que, a partir do planejamento em discussão, o partido concentraria os candidatos a deputados federais, enquanto o PSDB aglutinaria nomes para a disputa das vagas na Alece. 

“A princípio é essa estratégia, os federais vêm para União e os estaduais para o PSDB. Lógico que, se o número de candidatos ultrapassar o limite (por partido), que é de 23 para federal e de 47 para estadual, a gente vai precisar montar outras chapas e temos partidos disponíveis para isso”

Capitão Wagner

Presidente do União Brasil no Ceará


Questionado se a estratégia passa pela disputa interna que ainda paira sobre a federação União Progressista, em relação ao apoio ao governador Elmano de Freitas (PT), Capitão Wagner negou, ao defender o fortalecimento dos partidos.  


“O PSDB já tem o (pré-candidato) governador, ficaria com a chapa de estaduais, com certeza é importante para o governador ter uma base sólida na Assembleia. E o União fortaleceria na medida que a gente teria chance de eleger mais federais pelo União Brasil”, projetou Wagner. 


NOVAS BANCADAS

Atualmente, o PSDB tem apenas uma das dez cadeiras da oposição no Parlamento, com Emília Pessoa (PSDB). A partir da estratégia, os deputados Felipe Mota (União), Sargento Reginauro (União), Heitor Férrer (União), Cláudio Pinho (PDT) e Queiroz Filho (PDT) podem passar a compor a legenda tucana. 


Por sua vez, os deputados estaduais Lucinildo Frota e Antônio Henrique — os outros dois membros da bancada do PDT — estão apalavrados com o PL desde o primeiro semestre de 2025. Contudo, a chegada de Ciro ao PSDB ainda pode alterar essa composição.


Caso as mudanças se concretizem, o PSDB passaria a ter a 3ª maior bancada da Assembleia com seis parlamentares, atrás apenas de PT (10) e PSB (9), ambos do núcleo governista. O número pode chegar a oito, caso Lucinildo e Antônio Henrique decidam ir ao partido de Ciro. 


Por outro lado, o PDT deixaria de ter representação na Casa com a saída do quarteto oposicionista, enquanto o União ficaria apenas com Firmo Camurça, deputado da base do Governo Elmano.   


Já no âmbito da Câmara dos Deputados, o União Brasil concentraria candidatos para alcançar mais cadeiras. Atualmente, o partido tem Danilo Forte, Dayany Bittencourt, Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues — os dois últimos são aliados de Elmano. 

ESTRATÉGIA ELEITORAL

Membro da oposição, o deputado estadual Felipe Mota (União) já sinaliza a migração para o PSDB a partir da estratégia do grupo. O parlamentar afirma que sugeriu a tática a Ciro ainda em agosto de 2025, posteriormente acatada pelo dirigente tucano.


Para Felipe Mota, Ciro teria força política para ser um “puxador de votos” no Estado, o que facilitaria a formação de uma bancada da Alece. A expectativa é eleger entre 10 e 11 deputados estaduais, segundo o parlamentar. “A gente tem que ter a certeza de que, se nós deputados estaduais estivermos no PSDB, nós teremos uma chance muito maior de fazermos mais vagas”, avalia. 


Questionado como a estratégia leva em conta o PL, o deputado justifica que o partido reúne nomes que, juntos, devem ultrapassar a barreira de 1 milhão de votos e tem uma vida própria, com um candidato ao Palácio do Planalto e a força de ser a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 


“Quando abrir a janela eleitoral dia 4 de março, sai a psicologia e entra a matemática. Como nós somos aliados, nós podemos muito bem sentar e discutirmos para onde vai, quem vai. Digamos, se tiver uma estratégia de algum candidato do PL para deputado estadual que quiser colocar aqui com a gente, vai ser muito bem-vindo. Como, se lá não tiver mais vaga para deputado federal e precisarem colocar aqui na União Progressista, nós somos parceiros”

Felipe Mota

Deputado estadual pelo União Brasil


SAÍDAS ANUNCIADAS

Desde o ano passado, Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Lucinildo Frota e Queiroz Filho já sinalizavam a saída do PDT, aguardando apenas a janela para a confirmação. Até lá, os quatro deputados estaduais ainda discutem o destino partidário. 


Em contato com o PontoPoder, Cláudio Pinho confirmou o debate em torno da estratégia, mas afirmou que “não foi batido o martelo”. “Pode (acontecer). Os federais seriam candidatos pela União Brasil, e estadual podendo ser candidato pelo PSDB”, salientou. 


Já sobre as negociações com o PL, Antônio Henrique disse ter uma boa relação com o partido e analisa o convite de André Fernandes, mas pregou cautela. “Se o PL decidir que vai ter um candidato (ao Governo), não me deixa confortável, não, porque o meu o candidato é o Ciro”, evidenciou o deputado.   


Por sua vez, Lucinildo Frota aponta que deve seguir para o PL e ser candidato a deputado federal. “Eu tenho que ver a estratégia de viabilidade eleitoral. A princípio, hoje, o que me dá mais viabilidade eleitoral, que eu me identifico é com o PL”, enfatizou. 

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