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Ciro aumenta hostilidade pública em relação a Cid e diz que irmão lidera grupo de "descartáveis"

  • Foto do escritor: Romas Sousa
    Romas Sousa
  • 13 de nov. de 2023
  • 2 min de leitura

Desentendimento político-familiar começou no ano passado, mas as críticas públicas, principalmente da parte de Ciro, cresceram desde que brigaram em reunião do PDT no Rio de Janeiro

A ruptura interna que atinge o ambiente partidário do PDT torna cada vez mais agressivas as manifestações públicas de Ciro Gomes, candidato a presidente pelo partido nas eleições de 2018 e 2022, e o irmão dele, senador Cid Gomes.


Até o primeiro semestre do ano, Ciro pedia a repórteres para não mencionar o assunto Cid. "Eu não quero comentar porque a facada nas minhas costas está doendo muito ainda", disse em 22 de junho. Ainda em 2022, no dia do primeiro turno, ele dizia que o desentendimento com os irmãos "vai sangrar até o último dos meus dias".

 

Interpelado no mesmo sentido, Cid afirmava que questões familiares se tratam em casa. Mas ele já sabia que o confronto ganhara contornos de irreversibilidade. "Para mim o que havia de mais importante era a fraternidade do Ciro em relação a mim. Pelo visto, está perdida", disse em julho.

Bate-boca

Um marco parece ter sido a reunião do PDT no Rio de Janeiro, em 27 de outubro, após a qual se decidiu pela intervenção nacional no diretório cearense, então comandado por Cid. A proposta da intervenção foi feita por Ciro. Na ocasião, os irmãos, que não se falavam havia mais de ano, voltaram não a dialogar, mas a bater boca.

Eles chegaram quase ao mesmo tempo, não se cumprimentaram. Ao discutirem, os gritos podiam ser ouvidos de outros andares. Ficaram de pé e falaram com dedo em riste. Aliados se envolveram e por pouco não houve confronto físico. Na saída, Ciro afirmou que o encontro foi "muito ruim". Sobre o clima com o irmão, falou: "É o pior possível".

De lá para cá, as críticas de Ciro se tornaram mais explícitas e agressivas. Na última sexta-feira, Ciro disse que o irmão aderiu a dinâmica "fisiologista, de clientelismo e completamente descartável". "Eu o protegi disso a vida inteira de todos os conflitos. Eu sei que dei vida política ao Cid. A ingratidão e a traição são problemas dele", afirmou.

Sobre o grupo liderado pelo senador, que sinaliza saída do PDT, Ciro falou: "Que ele leve os descartáveis para onde ele quiser ir com muito boa sorte".

Cid tem postura mais contemporizadora e evita ataques públicos ao irmão. Poucas semanas antes da reunião de 27 de outubro, o senador dizia querer e acreditar na reconciliação. Segundo ele, ambos pensam de forma semelhante.

 

Em maio, ele afirmava a disposição para abrir mão de concorrer à reeleição na vaga que ocupa no Senado em 2026 caso Ciro queira ser candidato. Mais recentemente, foi mais contido: "Eu pessoalmente fico absolutamente constrangido com essa situação. O mínimo que posso fazer, até em respeito a essa relação, do passado, é não fazer mais comentários".

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